Asma: MANUAL DO PROPRIETÁRIO
A asma afeta milhões de pessoas em todo o mundo, limitando suas atividades e impactando sua qualidade de vida. Compreender essa condição e encontrar as ferramentas certas para controlá-la é fundamental para recuperar o bem-estar. A asma não é apenas uma doença respiratória, mas um desafio que exige atenção e cuidado. O grande desafio reside em como equilibrar a vida cotidiana com os sintomas da asma e encontrar uma solução duradoura.
A Jornada para Respirar Livremente
A asma é uma doença complexa causada pela inflamação recorrente das pequenas vias aéreas, com grande variabilidade de apresentações e gatilhos. Muitas vezes, as pessoas buscam soluções rápidas e isoladas, como uso isolado da “bombinha” ou remédios caseiros, sem um acompanhamento médico adequado. No entanto, essa abordagem superficial raramente traz resultados duradouros. Sem um plano de ação eficaz, as crises podem se tornar mais frequentes e graves.
A Educação é o princípio
A educação do paciente é o ponto central para o controle da doença. Ao entender a sua doença, os gatilhos que a desencadeiam e os medicamentos disponíveis, o paciente se torna um parceiro ativo no tratamento. Com essa nova perspectiva, combina-se conhecimento médico com ferramentas práticas para auxiliar os pacientes a gerenciar a asma no dia a dia.
Uma estratégia moderna e eficiente
A estratégia envolve um acompanhamento individualizado, com o objetivo de identificar os gatilhos específicos de cada paciente, ajustar a medicação de acordo com a necessidade e ensinar estratégias de qualidade de vida. Organizações nacionais e internacionais frequentemente atualizam suas recomendações baseados em estudos clínicos conforme estes vão sendo publicados, seguem as principais:
Diário de Asma
O diário de asma é uma ferramenta poderosa e de baixo custo. O paciente anota diariamente um relato sobre seus sintomas com sua intensidade e frequência e também outros elementos como o Pico de Fluxo Expiratório (através de um pequeno aparelho encontrado em farmácias), medicamentos usados rotineiramente e nas crises, atividades realizadas, locais visitados, contato com substâncias ou situações que possam ter desencadeado sintomas, como por exemplo, exposição à fumaça do cigarro.
Ao longo do tempo, esse diário revelará padrões e conexões entre as exposições e o aparecimento das crises e também se o seu plano de tratamento está adequado.
Papel do corticoide inalatório na crise
Desde 2019 a Global Initiative for Asthma(GINA) tem recomendado o uso de corticoide inalatório sempre que se usa a “bombinha” do broncodilatador. Isso diminui a inflamação local, as exacerbações e o remodelamento das vias aéreas. A budesonida e a fluticasona, embora mais caras, têm potência tópica maior que a beclometasona, exigindo menores doses para mesma eficácia, sendo, por isso, utilizadas em pesquisas e em saúde pública nos países desenvolvidos.
Os broncodilatadores
Medicamentos fundamentais no tratamento da asma, relaxam os músculos lisos das vias aéreas, que se contraem durante uma crise, causando os sintomas. Existem dois tipos: os beta-agonistas de curta ação, como o salbutamol, que proporcionam alívio rápido dos sintomas de uma crise, e os beta-agonistas de longa ação, que oferecem um efeito prolongado para o controle contínuo da doença. Enquanto os broncodilatadores de curta ação são a "bomba de resgate" para alívio imediato, o uso excessivo e isolado deles pode mascarar uma inflamação não controlada, aumentando o risco de crises graves. Por isso, as diretrizes atuais recomendam que os broncodilatadores sejam usados em conjunto com os corticoides inalatórios para garantir tanto o alívio dos sintomas quanto o controle da base inflamatória da asma, prevenindo exacerbações e melhorando a qualidade de vida. Os broncodilatadores de longa ação são adicionados ao tratamento onde os de curta ação mais os corticoides inalatórios não foram o suficientes para controlar os sintomas.
Uma vida além da asma
Além de seguir as orientações médicas, quem é portador de asma deve dobrar o esforço em adotar hábitos de vida saudáveis. Atividade física regular após liberação médica aliviam os sintomas, assim como nutrição balanceada e controle do peso. Casos mais desafiadores podem necessitar de testes alérgicos, espirometria e acompanhamento multidisciplinar. Imunoterapia ainda possui uso restrito. Lembrando, o manejo da asma exige uma abordagem em etapas, com o tratamento sendo intensificado ou reduzido de acordo com o controle dos sintomas. A asma não precisa ser um obstáculo para uma vida saudável e com o conhecimento atualizado e um pouco de paciência, muito se pode fazer.
O que fazer?
Consulte um médico para discutir suas dúvidas e receber um tratamento personalizado. Um médico pneumologista ou generalista podem conduzir o tratamento e acompanhar o seu progresso, implementando as recomendações mais modernas e eficiente para o manejo da asma a longo prazo. A asma é uma doença crônica que exige cuidados específicos e que se os princípios forem seguidos com diligência, aumentam muito as chances de uma vida muito próxima do normal.
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Referências
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