A Luta Contra o DPOC
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) afeta milhões de pessoas, mas o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem transformar vidas. Neste artigo, mostramos os desafios e as soluções para viver melhor com a DPOC.
A Luta Silenciosa
Tosse crônica e falta de ar diária é a realidade de muitos dos 384 milhões de pessoas no mundo que vivem com a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Infelizmente, a maioria desses casos sem diagnóstico. Os pacientes com DPOC geralmente chegam ao médico em estágios avançados, com a doença já debilitante e o tabagismo ainda presente. Portanto, com risco elevado de exacerbações, hospitalizações e morte. Mas o paciente com DPOC pode reduzir esses riscos, ter uma vida mais normal e desfrutar de momentos ao lado da sua família por bastante tempo.
Uma Grande Oportunidade
- Atenção desde o Início
A DPOC é frequentemente negligenciada na prática médica primária. Muitas vezes, pacientes com DPOC parecem ser assintomáticos: eles adaptam-se aos sintomas e ajustam suas atividades diárias para reduzir sua ocorrência. Portanto, quando o médico tem diante de si um paciente com história de alta carga tabágica, é vital que sejam questionados corretamente. Um em cada cinco pacientes morre dentro de um ano a primeira hospitalização, metade deles não sobrevive por mais de 3,5 anos.
- Padrão Ouro
O bom médico se esforça para manter-se atualizado com as práticas médicas modernas, especialmente quando carregam grande impacto para os pacientes. Os clínicos gerais e médicos de atenção primária estão em uma posição privilegiada para realizar o diagnóstico precoce, classificação e tratamento do DPOC. Esse manejo já na atenção básica diminui os sintomas e prolonga a vida desses pacientes. Tudo começa com um simples exame.
- Os 4 Pilares do DPOC:
Diagnóstico precoce: A DPOC deve ser considerada em qualquer paciente com sintomas clínicos e fatores de risco para a doença (predominantemente tabagismo e exposição ambiental) com a realização de uma espirometria. Pessoas com alto risco e sem sintomas também podem fazer o exame, como por exemplo, pessoas com alta carga tabágica (p. ex. 1 maço ao dia por 20 anos).
Fenotipagem: uma vez feito o diagnóstico, classificar o DPOC pode mudar como ele é tratado, como nos pacientes que possuem asma associada ou exacerbações muito frequentes.
Tratamento não farmacológico: ensinar técnicas de cessação do tabagismo, encaminhar para fisioterapia, vacinas anuais, suporte nutricional, condicionamento físico e em casos mais avançados, oxigenoterapia e ventilação não invasiva.
Tratamento farmacológico: O tratamento farmacológico inicial depende da carga de sintomas, histórico de exacerbações, contagem de eosinófilos no sangue e presença de asma coexistente. Os broncodilatadores constituem a base do tratamento sintomático da DPOC. Estes medicamentos estão disponíveis na forma de β2-agonistas de curta ação e β2-agonistas de longa ação (LABAs) e antagonistas muscarínicos de curta ação e antagonistas muscarínicos de longa ação (LAMAs). Quando LAMAs e LABAs são combinados, seus mecanismos de ação complementares se somam, melhorando a função pulmonar e reduzindo sintomas. O uso de corticóides inalatórios também podem ser adicionados em pacientes com exacerbações frequentes, se possuem eosinófilos no sangue aumentados e na coexistência de asma.
A aplicação destes princípios tem grande impacto: O risco de exacerbações demonstrou diminuir em 22% quando se cessa o tabagismo. A mortalidade pode ser reduzido de várias maneiras: cessação do tabagismo, redução da frequência e gravidade das exacerbações, reabilitação pulmonar, aumento da atividade física e tratamento farmacológico. A oxigenoterapia de longo prazo também é conhecida por reduzir a mortalidade em pacientes com hipóxia persistente. Além da oxigenoterapia, a ventilação não invasiva prolonga o tempo entre internações em pacientes mais graves melhorando sua qualidade de vida.
A Chave para uma Vida Mais Plena
Não há como enfatizar demais a importância do diagnóstico precoce. Também, a vasta maioria dos pacientes com DPOC possuem essa doença por causa do tabagismo e precisam ser acolhidos sem julgamentos. Abordar o DPOC e a realização de exames em todos sob risco estimula a inclusão do paciente em seu tratamento, estimula a parar de fumar e o tratamento começa o mais cedo possível. Não é fácil parar de fumar, mas muito mais difícil é conviver com DPOC e suas limitações.
Não Deixe o dpoc Limitar Sua Vida
Se você ou alguém que você conhece é tabagista e apresenta sintomas como falta de ar, tosse persistente ou cansaço excessivo, não hesite em procurar ajuda médica. O diagnóstico precoce é a sua maior arma contra a DPOC. Agende uma consulta para avaliar se você é candidato a exames ou se precisa de ajuda para parar de fumar.
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Referências:
Sandelowsky H, Weinreich UM, Aarli BB, et al. COPD - do the right thing. BMC Fam Pract. 2021;22(1):244. Published 2021 Dec 11. doi:10.1186/s12875-021-01583-w
Dey S, Eapen MS, Chia C, Gaikwad AV, Wark PAB, Sohal SS. Pathogenesis, clinical features of asthma COPD overlap, and therapeutic modalities. Am J Physiol Lung Cell Mol Physiol. 2022;322(1):L64-L83. doi:10.1152/ajplung.00121.2021